terça-feira, 24 de março de 2015

Porque a Igualdade é uma bandeira radical

                 Nesse 08 de março em meio a tantas manifestações feministas no facebook uma me chamou atenção. Uma mulher me diz que o feminismo tem que parar de falar de igualdade e falar de justiça, porque as mulheres não querem e não precisam ser iguais aos homens, que nunca homens e mulheres estarão de mãos dadas cantando “We are the world” e que feminismo é luta e que não tem nada de errado em odiarmos os homens, pois eles nos oprimem, e o ódio por eles alimenta a nossa vontade de acabar com a opressão.

De todas as coisas que eu poderia discordar desse ponto de vista eu escolho a visão de que a igualdade não é uma bandeira radical. Visão essa que me perturba como ser humano por dois motivos. Primeiro porque justiça e igualdade são coisas muito imbrincadas e lutar por justiça não me parece incompatível com lutar por igualdade, ao contrário, me parece que seria impossível faze-lo. Segundo porque parece que ainda perpetuamos e reproduzimos aquela velha fantasia de que o feminismo está aqui para transformar mulheres em homens.

Além desses motivos, me parece que certas campanhas institucionais, tipo HeForShe ou Campanha do Laço Branco, trazem a impressão de que a igualdade entre homens e mulheres só é possível se houver composição, um acordo entre homens e mulheres para um fim pacífico do patriarcado.

O feminismo como movimento político e filosófico se formou com uma diversidade primeiramente de classe, feministas sufragistas burguesas questionavam o direito de cidadania exercido pelo voto dado somente a homens, na mesma época feministas trabalhistas e comunistas questionavam também as condições de trabalho das mulheres, sua remuneração mais baixa e a negação de assistência às especificidades das mulheres... Vejam que o feminismo queria que todos pudessem votar de forma igual, mas exigia que as especificidades das mulheres trabalhadoras fossem respeitadas.

Se alguma corrente feminista tinha o “homem” como ideal a ser alcançado, o feminismo francês tratou de torna-la minoritária. A famosa Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” escreveu sobre como a mulher era construída como um ser errado, transviado e que a opressão residia na visão da mulher como “o outro”, ou seja, para que o feminismo pudesse libertar as mulheres ele não pode compara-la aos homens, o homem não pode ser o ideal que queremos alcançar.

Aquela frase da Rosa Luxemburgo estampada nas nossas camisas faz todo o sentido para entendermos porque a bandeira igualdade não está aqui para nos transformar em homens: “por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”. O feminismo, nas suas mais diversas correntes, não propõe que as mulheres lutem para ser iguais ao homens, mas sim para que homens e mulheres tenham o mesmo valor e o mesmo espaço na sociedade, para que não haja hierarquia entre as biologias, para que não haja privilégios herdados, nem que hajam modelos naturalizados de exercer sua humanidade.

Se pararmos para pensar no que isso significa, percebemos que é a pauta mais radical do feminismo, porque envolve basicamente mudar tudo no mundo, mudar o jeito de fazer política, o jeito de produzir riqueza, o jeito de se relacionar com o outro....

No Brasil, por exemplo, a igualdade significa,  legalizar o aborto, diminuir as horas de trabalho, mudar quase toda a legislação trabalhista, garantir livre escolha no parto, criar mecanismos de paridade nas profissões, fim da divisão sexual do trabalho, criar mecanismos de prevenção da violência contra a mulher, regulamentação laica e racional do uso de drogas, agricultura livre de transgênicos, fim do latifúndio, ampla e irrestrita reforma agrária, fim da cultura do estupro, e muitas outras coisas ... e se der pra acabar com o capitalismo então, já ia ajudar bastante!

Todas as pautas mais radicais do feminismo são pautas de igualdade... A luta pela igualdade é a luta pela transformação das relações de poder, pelo fim dos privilégios e por esse motivo são batalhas difíceis de serem travadas.

Nesse ponto, acho que as campanhas de correntes feministas que têm ganhado a mídia contribuem para uma visão equivocada de como a igualdade será conquistada. A ONU tem convocado os homens a se envolverem na luta das mulheres pela igualdade. O slogan HeForShe (Ele Por Ela) pode ser bom se pensarmos que estamos convidando os homens a refletir sobre seus privilégios, mas é péssimo quando percebemos que ele criou a ideia de que o patriarcado e a opressão feminina é algo externo as relações entre homens e mulheres, e que homens e mulheres unidos vão combater algum tipo de “monstro do mal”, sem por em evidência de que a desigualdade vivida pelas mulheres é o que garante os privilégios masculinos e uma forma de produção que lucra (e muito!) com essa opressão... Ou pior, que a igualdade é uma concessão.

A igualdade pela qual os feminismos tem lutado não é compatível com conciliação, não é uma concessão dos homens, é uma mudança estrutural em como a humanidade se relaciona. Entretanto, eu não acho que o feminismo é compatível com qualquer tipo de ódio, os privilégios são gerados dentro de um sistema, sem que muitas vezes os indivíduos tenham escolha dentro dele. Aderir às falácias da misandria é assumir uma naturalização das relações humanas, onde homens nasceram com o machismo irreparável, o que é totalmente incompatível com o que se propõe o feminismo, que é mostrar que tudo isso é construído e pode ser mudado.


Também não concordo que exista apenas uma forma de alcançar a igualdade ou a justiça. A organização das mulheres em torno de seus direitos e aspirações tem formulado muitos caminhos possíveis, essas experiências fizeram avançar muitas conquistas e em outros períodos também trouxeram retrocessos. Mas se vamos lutar ao estilo Ghandi, ao estilo guerrilheiras do  YPG, se vamos disputar as vias institucionais, se vamos fazer tudo mesmo tempo, isso é uma resposta que só será encontrada na organização das mulheres.    
  

domingo, 8 de março de 2015

A origem do Dia Internacional da Mulher

Por Lorena Abrahão*
Para compreender as origens do Dia Internacional das Mulheres, é necessário desconstruir a ideia que esta é uma data criada para fomentar o mercado de consumo. 
Desconstruir também o mito que se dá por um incêndio em uma fábrica nos EUA, onde morreram mais de 100 mulheres queimadas. Não há documento histórico nenhum, nem mesmo que comprove que houve este incêndio, e pelo calendário ele ainda teria sido em um domingo, pouco provável, mas mesmo que tenha ocorrido, nada tem a ver com a origem do Dia Internacional da Mulher.
Pela História e estudos sobre o movimento de mulheres socialistas, chegamos nos meados do século XX. Em diversos países já existiam movimento de mulheres em busca de conquistas básicas como direito ao divórcio, estudar e votar. Se compreendia que o voto era o primeiro passo para as outras conquistas.
No próprio movimento socialista ocorriam contradições e embates a cerca do reconhecimento da igualdade entre os sexos (parece bem atual não?!). As mulheres russas lutavam também por direito ao voto; pelo acesso ao trabalho e espaço público; além de pelo reconhecimento como portadoras de bens e direitos.
Então o movimento sufragista “unificou” internacionalmente o movimento de mulheres. Não significa que tenha tornado todos os movimentos em um só, mas que em torno de um denominador comum, uniu as mulheres em torno desta bandeira.
Em 1910, em Copenhagen, ocorre a 2ª Conferência de Mulheres Socialistas. Onde foi aprovada a proposta de um Dia Internacional de luta pela libertação das mulheres. Este é o marco do 8 de março,  data que era considerado o Dia das Mulheres Trabalhadoras na Rússia.
No 8 de março de 1917, as russas saíram nas ruas de Petrogrado na luta de conquistas trabalhistas. Para Alexandra Kollontai “as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo”. Daí então, propagou-se pelo mundo as atividades em torno da data.
E essa é a real origem deste dia, que é um dia de luta pela liberdade das mulheres.
Desconstruir mitos, reafirmar o significado é reforçar o fato das mulheres serem e poder serem protagonistas de sua própria História.
Seguiremos em Marcha, até que todas sejamos livres!


*Lorena Abrahão é feminista, formada em Letras, assessora sindical e militante da Marcha Mundial das Mulheres.


08 de Março, vamos à luta!

Por Karol Cavalcante
Muitos foram os avanços conquistados pelas mulheres. Na última década, cresceu o número de mulheres no mercado de trabalho, no parlamento, nas atividades científicas. Este crescimento reflete a luta e organização das mulheres na sociedade. Embora tenhamos avançado bastante, as dificuldades ainda são latentes e se refletem no mundo do trabalho e na vida das mulheres.
Desde 2002 vivemos um novo momento na política e na vida das mulheres brasileiras. Com a eleição de Lula e Dilma um conjunto de políticas públicas foram implementadas com o objetivo de combater as desigualdades históricas entre homens e mulheres. Conquistamos o primeiro órgão federal de políticas públicas, Conferências, Plano Nacional de Políticas para as mulheres, a Lei Maria da Penha principal mecanismo de combate a violência contra as mulheres, a regulamentação em Lei do trabalho doméstico, entre outras conquistas.
Avançamos bastante, mas não podemos nos levar pelo discurso triunfalista de que homens e mulheres já vivem em situação de igualdade na sociedade. Somos apenas 8,7% do congresso nacional, mesmo representando 52% do eleitorado. Em relação ao mercado de trabalho brasileiro, homens recebem salários 30% maiores do que as mulheres (Fonte: Observatório de gênero no Brasil). Cumprimos uma carga horária de trabalho exaustiva e muitas vezes somos as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico. Nós mulheres ainda representamos 70 % da população pobre do mundo.
Embora tenhamos avançado bastante no que concerne as políticas públicas, avançamos pouco no que se refere aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Ainda temos uma legislação do século passado que criminaliza o aborto fazendo com que anualmente milhares de mulheres, principalmente as mais pobres, recorram a esse método de forma clandestina, em péssimas condições, colocando em risco suas vidas.
É papel de um governo progressista se propor a discutir e alterar os marcos legais existentes no Brasil sobre a temática. É necessário compreender o legado de opressão que impede que mulheres tenham de fato o direito de decidir sobre o seu corpo. Devemos seguir o exemplo dos nossos irmãos Uruguaios e descriminalizar o aborto no Brasil. No Uruguai o número de abortos passou de 33 mil por ano para apenas 4 mil. Segundo os dados oficiais do governo Uruguaio entre dezembro de 2012 e maio de 2013 não foi registrado nenhuma morte materna por consequência de aborto. Junto a descriminalização o governo uruguaio implementou um conjunto de politicas públicas de planejamento familiar e atendimento integral de saúde reprodutiva da mulher.
O ambiente conservador, liderado por parlamentares fundamentalistas e religiosos tem tornado o tema do aborto um assunto cada vez mais difícil de ser debatido no Brasil. Embora os conservadores não queiram debater não há como negar que o aborto existe e é praticado por milhares de mulheres. Dados do Ministério da saúde de 2013 estimam que ocorra mais de um milhão de abortos provocados todos os anos. O abortamento é a quinta causa de mortalidade materna no país. Entre 2007 e 2012 um total de 963. 291 mulheres foram internadas no SUS por aborto e suas complicações. O custo desse atendimento foi de 180 milhões aos cofres públicos brasileiro. Sobre o perfil das mulheres que recorrem a esse método 81% já possui filhos e 64% estão casadas, isto sugeri que o aborto é usado como instrumento de planejamento familiar quando os métodos contraceptivos falham. Quanto a religião 65% declaram ser católicas, 25% protestantes ou evangélicas e 5% seguem outras religiões. Os dados comprovam que apesar da proibição legal ao aborto ele existe e vítima anualmente milhares de mulheres, em sua maioria pobres e negras (Pesquisa nacional de aborto/ UNB). A Legalização do aborto e sua descriminalização são pautas fundamentais para o avanço de políticas públicas que caminhem rumo a garantia da autonomia das mulheres.
O Partido dos Trabalhadores, desde 1991, defende em seu programa politico a legalização do aborto. Sofremos vários reveses na pauta nos últimos anos, fruto das contradições e dos limites que se apresentam a um partido que se torna governo. Mas nós mulheres petistas não podemos abrir mão desse enorme desafio de debater este tema tão atual que atinge a vida cotidiana das mulheres brasileiras e que deve ser tratado como uma questão de saúde pública.
Que neste 08 de Março possamos mais uma vez ir as ruas lutar para que o aborto legal seja um direito das mulheres e dever do estado. Que possamos lutar por mais dignidade, autonomia e cidadania. Enfim, que possamos caminhar para uma sociedade verdadeiramente igualitária, justa, solidária e libertária.

*Karol Cavalcante é Socióloga, Especialista em Gestão de Municípios pelo NUMA/UFPA. Feminista e ativista digital. Atualmente é Secretária-Geral do PT do Pará. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha no Pará é neste domingo (8/3)

8 de março
Neste domingo, 9h, esperamos vocês na Praça da República pra participar do Lançamento da 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Pará. Vai rolar...
... Ensaio da Batucada e fabricação de instrumentos (Leve sua lata ou bumbo, cabo de vassoura e retalhos, lá teremos spray's e demais materiais)
... Teatro Manifesto Feminista
... Pintura de faixas
... conversa e lanche coletivos (mistura de pequenique e roda de conversa, hehe! Leve alguma coisa para compartilharmos, como sucos, bolo, frutas etc.)

Mulheres, vocês estão convidadíssimas a se somar conosco nesta jornada!
Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!!!

4ª Ação Internacional
Em 2015, a Marcha realizará sua 4ª Ação Internacional que, nesta edição, será regionalizada. No Brasil, ocorrerá encontros e eventos em diversas datas e localidades entre os dias 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) e 17 de outubro (data de fundação da MMM) de 2015.

O Pará participará de um encontro de mulheres da Região Norte a ser realizado de 15 a 17 de abril em Palmas (TO). Estimamos a participação de 50 paraenses nesta importante atividade, cuja composição da delegação será bastante diversa, com mulheres sindicalistas, assentadas, estudantes universitárias, alunas do Projeto de Construção Civil (será alvo de um post lindo em breve!), catadoras de resíduos sólidos, mulheres de movimento de bairro, bancárias e atingidas por barragens.

Para garantir a participação de todas independente da condição financeira individual, realizaremos diversas atividades financeiras como brechós e feijoada, para custear as despesas da viagem.

Além disso, o Pará vai contribuir realizando oficinas e espaços lúdicos durante o encontro em Palmas, focando no tema "Controle do corpo e da vida das mulheres".


Troca de experiências no mundo do trabalho e na vida sindical. Assim pode ser resumida a primeira reunião da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), dia 25 de fevereiro, com as bancárias de Belém. Durante o evento, todas as mulheres presentes contaram um pouco de suas vidas. Além disso, cada uma apontou de que forma a sociedade ainda precisava avançar em prol dos direitos e respeito às mulheres.
“O machismo, a opressão, a violência obstétrica ainda são problemas que nós mulheres enfrentamos em pleno século XXI e uma das melhores formas de enfrentá-los e através da nossa força e união, seja denunciando, pedindo ajuda de outras mulheres, tornando público tais problemas e apontando o que defendemos ser a solução. É um trabalho árduo, mas que para se ter êxito precisa ser diário começando com um simples debate ou conversa no local de trabalho. No dia 8 de março iremos às ruas mais uma vez tornar nossa luta pública”, destaca a presidenta do Sindicato, Rosalina Amorim.
Coletivo Estadual de Mulheres Bancárias – A reunião também abordou a importância da organização das mulheres no movimento sindical, em especial a categoria bancária, e a partir desse debate surgiu a ideia de criação de um coletivo de mulheres bancárias para o fortalecimento da luta das trabalhadoras que representam praticamente metade da categoria.
“O 11º Congresso Nacional da CUT aprovou a paridade entre homens e mulheres na direção da maior central sindical do país e o desafio foi lançado também aos sindicatos cutistas. Nós assumimos e queremos ampliar a participação das mulheres no movimento sindical e na construção das nossas pautas”, ressalta Rosalina Amorim.
Além do coletivo, os sindicatos cutistas têm a tarefa de construir as secretarias de mulheres dentro de suas entidades.
“Essa reunião é a primeira de muitas que teremos com as mulheres bancárias do nosso Estado, em busca de fortalecer ainda mais a nossa luta específica de forma que elas sejam reforçadas e façam parte da pauta na Campanha Nacional. A Marcha Mundial das Mulheres, aqui em Belém, tem atividades pelo menos uma vez por mês e para quem estiver interessada o convite está feito para juntos somarmos e avançarmos”, convida a diretora de Comunicação do Sindicato e militante da MMM, Tatiana Oliveira.
4ª Ação Internacional da MMM – Em 2015, militantes da Marcha Mundial das Mulheres de todos os continentes do planeta, levantarão mais uma vez as vozes entre 8 de março e 17 de outubro para afirmar: “Seguiremos em Marcha até que todas as mulheres sejamos livres”!
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com dezessete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento internacional.
Fonte: SEEB PA

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Brechó Pró Lili - MMM





No final do mês de outubro a companheira Lili (MMM Pará) será submetida a uma operação para retirar o útero, por conta de um mioma. A cirurgia chama-se histerectomia.

A Lili descobriu esse Mioma há 5 anos e desde então tem buscado métodos de tratamento para que não fosse necessário realizar a cirurgia. Mas os métodos infelizmente não foram eficazes e com o tempo as dores, o sangramento intenso e a anemia têm se intensificado.

O útero da Lili já mede mais de 500 cm³ de volume (o máximos normal é 90 cm³). O que aponta para uma cirurgia em caráter necessário e urgente.

Ela está esperando há um ano para realizar essa cirurgia pelo SUS. E em decorrência do seu quadro clínico já não é possível esperar mais.

A Histerectomia custa R$ 3.000,00 (Três mil reais). Mas a companheira Lili não tem condições de arcar com as despesas totais pré, peri e pós cirúrgicas. E por isso decidimos ajudá-la e achamos que mais pessoas também gostariam de fazer o mesmo. Por tanto, resolvemos fazer uma campanha financeira pró Lili. :)

Como você pode ajudar?

- Se você não mora em Belém, ou mora mas não pode ir pro Brechó, ou se quer ajudar de todas as formas, você pode participar da Vakinha virtual que a Lili criou. http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=308404
Convida todo mundo pra participar dessa vakinha solidária.

- Se você tem aquelas roupas, sapatos, livros, vinis, bolsas, bijus, vasos,redes, etc. que você não usa mais, doa pra gente, que vamos reciclar e vender no brechó.

Quem pode doar e comprar?

Todo mundo. Amigas/os, parentes e vizinhas/os podem contribuir. Cá entre nós, todo mundo compra/ganha/guarda mais coisas do que realmente usa.

- o que não for vendido será doado para pessoas que necessitam.

Onde entregar as doações?
Sindicato dos Bancários: Rua 28 de setembro, 1210, próximo à Doca (procurar Lorena)

Caso você não possa entregar no sindicato, entre em contato que vamos pegar (contatos no final).

Quando será o Brachó?
O Brechó será no dia 29 de outubro, a partir das 16h, no Sindicato dos Bancários e só terminará 20h.

Vai ter opção pra pagamento em cartão de crédito, hein!

Convida todo mundo pra esse Brechó. Aguardaremos vocês com tudo arrumadinho.

....Ufa! Qualquer dúvida, pergunte pra alguma das marchantes abaixo.

raizarocha6@gmail.com
(91) 99224165 - vivo

lorena.mmm.pa@gmail.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ciclo de oficinas de teatro-manifesto

Com muita alegria anunciamos que estão abertas as inscrições para o I Ciclo de oficinas de teatro-manifesto da Marcha Mundial das Mulheres - Pará.

As oficinas serão abertas, ou seja, poderão participar mulheres que militam na Marcha Mundial das Mulheres e as que não o fazem. Porém, infelizmente, por ser um projeto piloto, nossas vagas neste ciclo serão limitadas a apenas 25 inscrições. As inscrições excedentes serão alocadas em uma fila de espera.

Para efetuar a inscrição no Ciclo de oficinas será necessário pagar uma *taxa única de R$5 (no início da oficina) e preencher a ficha de inscrição.

Érica Rapinadasbacantesinstrutora do Ciclo de oficinas, diz que quando o teatro é servido, exclusivamente, por interesses gerais, comerciais, econômicos, o limite entre o pessoal e o político fixa-se, e o teatro tende a tornar-se uma alienação pelo valor de mercadoria, pela lógica da massificação. Mas o teatro quando perspectivado no contexto de manifesto feminista, adquire outro estatuto de realização. 

Por isso, propõem-se uma oficina de teatro que detém características temáticas e uma organização muito próxima das que caracterizam um grupo feminista: teatro alternativo de estímulo ao empoderamento da mulher, teatro-manifesto de dignação da mulher, perspectiva crítica horizontal, que contraria a perspectiva dominante vertical, dinâmica de informação, cooperação, divulgação, espaço pessoalmente marcante.

Teatro-manifesto porque implica um legado e uma posteridade, teatro do opressor/oprimido, teatro-manifesto feminista...

E então, mulheres, vamos vivenciar juntas tudo isso? 

Nosso encontro será aos sábados, tendo início no dia 18 de outubro, das 15h às 19h, no sindicato dos bancários.

O Sindicato dos Bancários fica na Rua 28 de Setembro, n 1210, próx à doca. Para ver o mapa Clique aqui.



* Cobraremos R$5 pelas inscrições, porque estamos fazendo uma campanha para arrecadarmos dinheiro, a fim de ajudar uma das nossas companheiras a conseguir dinheiro para pagar uma cirurgia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

URGENTE – DOE SANGUE (QUALQUER TIPAGEM) PARA FABÍOLA BRITO, MAIS UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

No dia 8 de junho de 2014, por volta das 23h, a jovem Fabíola Cristiane Borges de Brito, 22 anos, foi surpreendida com um tiro no peito, disparado pelo seu ex-namorado o qual não aceitou o término do relacionamento e decidiu por tirar a vida de Fabíola.

A jovem mulher que está sob o risco de vir ao óbito, está no CTI do Pronto Socorro Municipal de Belém (14 de março) e precisa de DOAÇÃO DE QUALQUER TIPAGEM SANGUINEA COM URGÊNCIA PARA QUE SEJA SUBMETIDA À CIRURGIA.

Que a violência contra as mulheres existe nós sabemos, porém, sempre que um novo caso acontece, mais consistente torna-se o entendimento que devemos seguir em Marcha até que todas nós sejamos livres de todas as formas de opressão e violência.

A família da vítima registrou ocorrência na Delegacia de Amparo à Mulher, mas o agressor continua foragido. Para a Marcha Mundial das Mulheres é fundamental que este e todos os outros casos sejam devidamente encaminhados para que os agressores sejam sim punidos e educados a não mais cometerem atrocidades como estas.

É necessário também que o Estado garanta a efetivação das leis e políticas públicas que possam alterar a realidade das mulheres que diariamente tem suas vidas ceifadas pela violência sexista, violência gerada pelo machismo que faz o homem ter o corpo da mulher como propriedade sua.

Estamos solidárias à Fabíola Brito e sua família.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!!!

Obs.: Para a doação de sangue, dirija-se ao HEMOPA PARÁ e forneça o nome completo e hospital que a paciente está internada.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sobre as palavras que nunca saíram

Só hoje tive coragem de ler alguns textos sobre a cultura do estupro e fiquei com um nó na garganta, chorando silenciosamente, com muita dor no coração, tremendo e lembrando um dos motivos que me levam a permanecer na luta feminista...

Quando eu tinha uns 5 anos ou 6, não lembro bem, morava em Marituba (município do Pará), com meus pais e meu irmão. Meu pai e minha mãe trabalhavam bastante e passavam a maior parte do dia fora de casa, mas nos deixavam aos cuidados de uma babá até que chegassem do trabalho.

Um dia, eu fui brincar na casa do meu amigo, que morava ao lado de casa e o irmão mais velho dele, que na época deveria ter uns 17 ou 18 anos, me chamou para um quarto, abaixou a minha calcinha, botou a mão na minha boca tentando impedir que eu gritasse (nem precisava, as palavras não saiam) e começou a penetrar em mim, dizia que ele estava só brincando comigo, que se eu contasse aos meus pais ele iria machuca-los e ficou por bastante tempo fazendo aquilo e eu só queria chorar, porque doía muito e nem estava entendendo o que estava acontecendo.

Lembro que quando cheguei em casa, minha babá foi me dá banho, e quando viu minha vagina, perguntou porque ela estava toda vermelha, assada, perguntou se eu havia lavado com sabão de manhã e eu disse que sim (mentindo). Então ela me ensinou que nunca deveria lavar com aquele tipo de sabão e que ia passar pomada em mim. Mesmo depois dela ter me dado banho, ainda me sentia suja e com medo.

Houveram dias em que a minha babá precisava ir embora mais cedo e me deixava na casa desse vizinho. E o mesmo se repetia.  Não entendo como ninguém naquela casa não percebia.

Passei tardes triste, lembro muito bem, sentia vontade de chorar, tinha uns momentos agressivos, vontade de fugir, de morrer, mas nunca sequer mencionei algo para os meus pais.

Um dia disse pra minha babá que não era mais amiga daquele menino e que preferia ficar na casa da coleguinha da frente, então, depois de eu ter insistido muito, um dia ela conversou com a mãe da garotinha e passou a me deixar lá. Mas não tinha um só dia em que eu não lembrasse daquilo. Sentia muita vontade de falar pro meu pai, principalmente nos dias em que ele deitava ao meu lado e perguntava como tinha sido o meu dia e eu tinha que sufocar as partes ruins e só falar sobre as boas. O medo de que algo ruim pudesse acontecer com meus pais ou comigo, me ajudava a sufocar qualquer palavra que denunciasse aquele homem.

Meu pai faleceu. Nos mudamos. E com isso, mesmo triste, a possibilidade de uma vida nova, em outro lugar, plantava uma sementinha nova de felicidade no meu coração.

Alguns anos após a morte do meu pai, minha mãe conversou comigo e com meu irmão falando sobre ter um novo namorado. E nós aceitamos. Vimos como foi difícil superar a perda do nosso pai. Eis que após alguns meses de namoro, o namorado da minha mãe passou a ter mais espaço dentro de casa, já podia dormir e fazer alguns passeios conosco.

Um dia, a noite, minha mãe foi tomar banho, enquanto eu estava no quarto dela assistindo TV, junto com o namorado dela, então, em algum momento que não lembro perfeitamente, ele meteu a mão dentro da minha calcinha e disse pra eu ficar calada e não dizer nada pra minha mãe. Eu sabia o que aquilo significava. O mesmo pesadelo, com endereço e rosto diferente.  O medo voltou. E permaneceu sufocando qualquer palavra de dor.

Um dia estava dormindo e senti alguém puxando a minha calcinha, então fingi que estava acordando e a pessoa saiu correndo pro outro cômodo da casa... esse era um outro namorado que minha mãe arranjou alguns anos depois.

E também teve uma vez em que eu estava no aniversário da minha tia, e o marido bêbado dela acariciou meus seios, tocou na minha vagina, mandou eu sentar no colo dele e ficou excitado.

Todos esses homens me silenciaram.

Eu podia ter falado alguma coisa, já que eu era um pouco maior e já tinha consciência de que aquilo era errado, mas eu me sentia nojenta, culpada e o medo de que as pessoas se machucassem ou brigassem por minha causa, me calou.

Desde então, minha relação com meu corpo não é boa. Lembro que um dia minha pediatra perguntou pra minha mãe porque eu não usava sutiã, que nas consultas eu sempre estava com umas blusas largas e uma blusinha colada por baixo ou top. Então minha mãe disse “(...) acho que ela tem vergonha dos seios, Dra”. E tinha mesmo. Mas, mais do que ter vergonha dos meus seios, eu não queria chamar atenção. Não queria ser uma mulher atraente. Talvez, o fato de ter sido estuprada somado ao de ter passado a maior parte da minha vida estudando o catolicismo e sendo orgânica dentro da igreja, tenha colaborado para essa relação com o meu corpo.

Eu era o tipo de pessoa que humilhava os garotos da minha escola, que batia em qualquer um que fizesse qualquer piada comigo. Lembro que nenhum namoro meu durava, porque em algum momento do namoro, eu tratava aqueles homens como seres descartáveis. Foi grande o susto das minhas amigas e família quando meu namoro durou mais de um ano.

Foi nesse namoro que comecei a refletir sobre a raiva que sentia (já estava na universidade). E consegui conversar mais, ser mais compreensiva e consegui ter minha primeira relação sexual, acho que isso ocorreu quando eu tinha uns 21 anos. E lembro que chorei, na primeira tentativa. Porque isso me remetia à lembranças ruins e aquele sentimento de nojo voltava.

Eu já militava no movimento estudantil desde os 18 e no movimento feminista desde os 19, mas foi demorado o processo para que eu percebesse que não havia nada de errado comigo, que eu não era a culpada, que os culpados eram outros. Aqueles homens que sentiram-se no direito de usufruir do meu corpo sem meu consentimento. Aqueles homens que me violentaram psicologicamente. Aqueles homens que se acharam donos do meu corpo. Eles sim, eram os culpados. Mas ainda assim, mesmo depois de tanto tempo militando, aquelas ordens sobre meu silêncio ainda ecoam e ainda são obedecidas. Porque há uma sociedade que também me quer calada.

Enquanto escrevo esse texto, outras meninas devem estar sendo estupradas, ou mulheres, e elas, de certo, ficarão caladas, chorando, ou com muita raiva, porque aqui fora há uma sociedade que não quer ouvi-las e que quando ouvem,  as culpam. Aqui fora há uma sociedade que ensina as mulheres a como não ser estupráveis e que, consequentemente, se formos, é porque não seguimos essas “regras”.

Pra você, que faz parte das pessoas que culpam a vítima, seja pela roupa, pelo corpo “sedutor”, pelo horário em que estava na rua, porque ela é uma “piriguete”, ou qualquer outro argumento para justificar, você também estava colocando a mão na minha boca e me ameaçando na hora em que eu estava sendo estuprada. Você também é um estuprador e está contribuindo para a perpetuação da cultura do estupro.

Estou escrevendo esse texto, como uma primeira tentativa de cura, porque guardar isso por tantos anos ainda dói e porque escrevendo a minha história, posso estar incentivando mais vítimas a contarem as suas e isso talvez, contribua para a sua cura.

Essa história ainda é aquela lágrima que nunca seca. A vergonha que demorou pra passar. E a raiva que machuca. Poderia ter postado ela no meu blog, mas preferi que fosse em um blog feminista, não só pelo maior número de pessoas que poderão ter acesso a ela, mas porque eu me sinto confortável pra escrever a minha história em um espaço onde serei acolhida pelas minhas companheiras de luta e porque é o feminismo que tem me ajudado nesse processo de libertação e que me motiva a ajudar mais pessoas a se libertarem das correntes patriarcais que as prendem.

É preciso combater e denunciar. E, por isso, continuarei em marcha, até que todas sejamos livres.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Economia Feminista e Soberania Alimentar - Avanços e desafios

No Brasil, mulheres têm um papel estratégico na produção de alimentos na agricultura familiar, que abastece 70% do consumo de alimentos dos brasileiros. Também aqui poucas informações de produção estão desagregadas por gênero – o trabalho cotidiano da mulher é chamado de ajuda, às vezes por elas mesmas. O dinheiro resultante da venda de seus produtos não é visto como fundamental ou mesmo contabilizado na renda familiar. O que produzem para a alimentação da família, apesar de estar na mesa todos os dias, não entra na contabilidade como renda da propriedade, e nem mesmo como renda da família. A publicação desta pesquisa, resultado de uma parceria entre a campanha “Cresça”, da OXFAM e a Sempreviva Organização Feminista (SOF), pretende contribuir para questionar, repensar e, finalmente, mudar os mudar os desequilíbrios nas relações de poder que impedem as mulheres de se realizarem como seres humanos, em especial naquelas relações que se manifestam em torno à produção e ao acesso aos alimentos.

Economia Feminista E Soberania Alimentar (3,1 MB)

Livros06/02/2014

Planejamento Anual da M.M.M- Pa 2014

Nos dias 01 e 02 de Fevereiro, a MMM-PA se reuniu para planejar suas ações para o ano de 2014, com muitas tarefas e desafios e muita vontade de mudar a vida das Mulheres.


Árvore dos Sonhos MMM-Pa 2014, com todos os seus desafios, oportunidades, ameaças, forças e frutos.




Ciranda Feminista: "Companheira me ajuda, que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor..."


Seguiremos em Marcha...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mulheres participam de 50% no mercado de trabalho na América Latina

Os países da América Latina e do Caribe registraram em 2013, pela primeira vez, taxa média de 50% de participação feminina no mercado de trabalho. Ainda assim, as mulheres continuam sendo o grupo mais afetado pelo desemprego e pela informalidade. Os dados são do Panorama Laboral da América Latina e do Caribe 2013, relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (17).

"Uma análise sobre a evolução da taxa de participação por sexo no mercado de trabalho demonstra que se mantém a tendência positiva sobre a redução da brecha de gênero", aponta trecho do documento.

De acordo com o relatório, a taxa média de participação das mulheres no mercado está relacionada ao comportamento da demanda por mão de obra. Essa taxa é um indicador que expressa a proporção de pessoas de cada gênero incorporadas ao mercado de trabalho como ocupadas. No caso dos homens, a participação total na região chegou a 71,1% em 2013.

No Brasil, foi registrada uma taxa de participação de mulheres um pouco inferior à média regional - 49,3%, apesar de ter sido superior ao resultado alcançado em 2012, de 49%. Entre os países, os que tiveram participação feminina mais baixa no mercado de trabalho em 2013 foram a República Dominicana (37,9%), o Equador (44,2%) e Honduras (44,7%). As mais altas, por outro lado, foram no Peru (64,7%), no Panamá (61,1%) e na Colômbia (60%).

Apesar da melhora em termos de participação, o estudo indica que o desemprego de mulheres é 35% maior do que o dos homens. Dos cerca de 14,8 milhões de pessoas sem trabalho na região, 7,7 milhões são do sexo feminino (52%). As taxas de desemprego feminino chegaram a 20,2% na Jamaica e 13% na Colômbia.

Quando se cruzam dados sobre mulheres e jovens, contata-se que jovens do sexo feminino são 70% dos desempregados na faixa etária dos 15 aos 24 anos de idade. As estimativas da OIT são a de que haja cerca de 6,6 milhões de jovens sem emprego em áreas urbanas da região - dos quais aproximadamente 4,6 milhões seriam do sexo feminino.

Entre 2012 e 2013, o desemprego de trabalhadores do sexo feminino na América Latina e no Caribe teve redução de três pontos percentuais - de 7,9% para 7,6%. A taxa de desemprego entre os homens, em contraponto, teve redução menor, passando de 5,7% para 5,6%. Para a OIT, isso demonstra que houve a intensificação da demanda pelo trabalho feminino no período.

Fonte: Contraf/Cut

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dia 19, plenária da MMM-PA. Participe!


Participe da Plenária da Marcha Mundial das Mulheres – Comitê Pará. Acontecerá no dia 19 de dezembro, às 18 horas, no Sindicato dos Bancários e Bancárias (Rua 28 de seembro, 1210 – Reduto).

2013 foi um ano intenso: preparação para o Encontro Internacional, MDV, formações, participação em diversas mesas e atos públicos, dentre outros. Nacionalmente avançamos em alguns pontos importantes como o Plebiscito da Reforma Política de verdade e na luta pela efetivação dos direitos das empregadas domésticas.

Acontece que muitos ainda são os nossos motivos para lutar. O Pará é o 4° Estado do país em assassinato de mulheres, com a taxa de homicídios de 6,1 assassinatos para o grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional que é de 4,6. Temos a desonra de abrigar o município que mais assassina mulheres – Paragominas; além do que outras 6 cidades estão na lista das 100 que mais cometem este tipo de crime, são elas Ananindeua (19,6), Tucuruí (18,5), Redenção (16,1), São Félix do Xingu (11,7), Novo Repartimento (10,2) e Barcarena (10,1). Os dados são do Mapa da Violência 2012, elaborado pelo intituto Sangari/Ministério da Justiça. Em Itaituba 36 mulheres foram estupradas em 2013, as mulheres da cidade estão em pânico e o poder público nada faz.

Nossos corpos e nossas vidas continuam sendo mercantilizados e oprimidos. Estamos no mercado de trabalho, mas ainda recebemos até 30% a menos do que os homens que ocupam cargos semelhantes.

Não podemos permitir que as violências e opressões avancem na naturalização. Sendo assim, a presença de TODAS é elementar para o fortalecimento de nossa auto-organização e fortalecimento de nossas lutas para o próximo ano.


Repartir o poder para mudar a sociedade: plesbiscito já!

*Por Camila Paula

No dia 15 de novembro, a batucada feminista adentrou o auditório central da Universidade Católica de Brasília no lançamento oficial do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político do país. Em junho deste ano, como resposta às manifestações nas ruas, Dilma Rousseff propôs a convocação de uma constituinte para debater a reforma política, coisa que a direita rebateu sem medir esforços e, no momento, a esquerda fragmentada não teve força para replicar à presidenta. Porém, junto aos mais de 100 movimentos sociais que estão encampando o plebiscito, a Marcha Mundial das Mulheres acredita que é preciso democratizar a participação da sociedade, em especial das mulheres, na política.

No dia 15 de novembro, a batucada feminista adentrou o auditório central da Universidade Católica de Brasília no lançamento oficial do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político do país.
Em junho deste ano, como resposta às manifestações nas ruas, Dilma Rousseff propôs a convocação de uma constituinte para debater a reforma política, coisa que a direita rebateu sem medir esforços e, no momento, a esquerda fragmentada não teve força para replicar à presidenta. Porém, junto aos mais de 100 movimentos sociais que estão encampando o plebiscito, a Marcha Mundial das Mulheres acredita que é preciso democratizar a participação da sociedade, em especial das mulheres, na política.

Como estamos e o que queremos?
Nosso sistema político serve para atender aos interesses das elites políticas, econômicas, sociais e culturais. Queremos o interesse público acima do privado. Para isto, a reforma não pode se restringir às mudanças eleitorais, mas, garantir leis e mecanismos de maior participação popular nas decisões políticas. Assim, devemos trabalhar por um aperfeiçoamento do sistema eleitoral e fortalecimento da democracia direta e participativa com controle social.
De acordo com dados do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), dos 549 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 66 são da bancada evangélica e apenas 91 são da bancada sindical e representação de trabalhadores e trabalhadoras que mesmo sendo a maioria da população, não é maioria no parlamento.
A imposição do poder econômico, oportunismo eleitoral e a sub-representação de gênero e de raça impedem diretamente maior representatividade democrática e mudanças estruturais. Então, o financiamento público de campanha, o sistema de votação, mecanismos para aumentar a transparência da aplicação dos recursos públicos e o fortalecimento da democracia direta através de plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular para que o poder seja para o povo em oposição ao Estado mínimo neoliberal são propostas para a nova constituinte.
O sistema eleitoral do Brasil é o de representação proporcional baseado em listas de partidos. Estas listas podem ser abertas ou fechadas. A lista aberta é o sistema utilizado no Brasil nas eleições proporcionais (deputados e vereadores).  Nesse sistema, o eleitor tem a possibilidade de votar em seu candidato preferido ou na legenda do partido. Essa votação nominal e não em um programa partidário faz com que a disputa seja em torno de projetos individuais e não coletivos.
O financiamento privado de campanha beneficia somente aqueles que são ou compactuam com a elite que patrocina homens, héteros, brancos, empresários e latifundiários que não representam e não resguardam os interesses do povo. A proposta do financiamento público serve para enfrentar o poder do dinheiro e do patriarcado racista e homofóbico.
Hoje, mais da metade da população brasileira é de mulheres que ocupam apenas 9% dos mandatos na câmara dos deputados e 12% no senado. Da mesma forma, 51% da população brasileira se declara negra e menos da metade das unidades federativas tem representantes negros na câmara. Sem falar que a população indígena não possui nenhuma representação no Congresso Nacional.
Por isto, vemos no processo do plebiscito uma boa oportunidade para radicalizar a democracia e participação popular que não é possível sem colocar a questão da paridade de gênero e de debater nossas pautas com relação à divisão sexual do trabalho, saúde e autonomia da mulher dentro da própria esquerda e na sociedade, de um modo geral. São muitos os desafios, mas não vamos abrir mão de um projeto feminista, classista, anti-homofóbico e anti-racista.

*Camila Paula é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Mossoró/RN.

Matéria reproduzida do Blog: www.marchamulheres.wordpress.com

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

De quantos quilos é preciso para ser feliz?

Por Lorena Abrahão


Só uma mulher acima, quer dizer, bem acima do peso padrão é capaz de entender a intensidade deste questionamento.

Pois é mesmo verdade que há os que acreditam que gorda é sinônimo de inFELICIDADE. E o que é pior, há casos em que é a pura verdade.


Me chamo Lorena, 27 anos e cheguei na casa dos 100kg. Desde sempre tive tendência para engordar. Para uns isto quer dizer que sempre comi muito e nunca fiz atividade física. Disciplinada?! Hum...bem longe das gordinhas.

Por alguns anos, vivi o lado mais fácil da pressão da sociedade, para a sociedade. Fazia dos mais diversos sacrifícios para manter-me... como dizer?! Gostosona. Sim, era isso que eu era. A felicidade na minha vida ainda era relativa. Acho que resumia-se a “ficar” com o carinha que eu queria quando queria. Ir à casa de praia vez em quando. E não sei o que mais.

Só sei que felicidade era muito pouco para o estado de espírito que hoje consolido na minha vida.

Sendo a vida uma caixinha de surpresas, aos 23 anos submeti-me a uma cirurgia de relativa emergência, por ter sido diagnosticada com câncer na tireóide. Não, meu mundo não caiu. Aliás, até acho que caiu, mas não passou nem mesmo de 24 horas. Cirurgia, radioiodoterapia, isolamento, reposição hormonal, mudanças fisiológicas diversas...um turbilhão de coisas.

Onde mais houve um turbilhão de mudanças, foi na ordem de prioridades das coisas, da vida. Aos poucos percebia que a vida tinha um sentido bastante diferente do que imaginava (pouco imaginava) antes.

A retenção de líquido começou a me assustar. Os quilos foram somando-se, somando-se, somando-se. 30kg a mais na balança. Todos notavam. O mais curioso é que aqueles quilos pouco importavam para quem estava descobrindo um novo sentido.

Não virei evangélica, nem autora de auto-ajuda. Mas o segundos, os minutos, as horas...o tempo, a vida tornaram-se tão mais intensos. De uma forma que as mudanças estavam permitindo-me uma segunda chance. Um recomeço de vida a ser vivida com bem mais intensidade.

O “não” passou a ser a palavra menos pronunciada. Comecei a dizer “sim” e este sim não era para quem esperava por uma resposta, era um sim para a vida, para as coisas a serem vividas. O tempo começou a apresentar-se curto demais, pois, muita coisa eu tinha (e tenho) para fazer.

Ta ficando muito dramático o desabafo?! Desculpem-me, não era esta a intenção.

Quis apenas falar para o mundo que ser gordinha, como intitulo-me, é o que menos incomoda-me na vida. E que é muito chato quando perguntam o por quê de não emagrecer! Ainda mais sendo eu o suficiente educada para não devolver com as respostas mais homéricas possíveis.

Se você estiver acima do peso estipulado como ideal e quiser elimina-los: elimine-os, mas faça isso por você e que seja prazeroso. Se não quiser, seja apenas feliz, mas não esqueça que a felicidade é efêmera demais para depender apenas de um item.

É óbvio que ter corpo e mente saudáveis são essenciais para viver com qualidade, mas isso nem todos conseguem. Sabem a gordinha que vos escreve?! Ah, ela consegue ter a alma leve e a auto-estima pesadíssima, de tão pesada transborda de alegria e transborda amor próprio ao ponto de conseguir compartilha-lo com muitos ao seu redor.

Então, vos deixo-lhes com os seguintes questionamentos:

  • É preciso estar magra para estar de bem com a vida?
  • Não estar de bem com a vida 24h/dia, 365d/ano, todos os dias de sua vida é o fim dos tempos?
  • Só as mulheres magras conseguem ter prazer e dar prazer ao fazer sexo? Você ficará sem resposta se for daqueles que acha que gordas não fazem sexo.
  • De quantos quilos você precisou para formar-se na universidade e conseguir um bom emprego?
  • De quantos quilos você precisou para conhecer o amor de sua vida?
  • De quantos quilos você precisa para considerar-se o ser mais incrível do mundo?
  • De quantos quilos a gente precisa para ter um bom convívio familiar?
  • De quantos quilos você precisa para se respeitar e respeitar as pessoas?
  • De quantos quilos a gente precisa para conseguir ter alma e consciência leves?
  • De quantos quilos você precisará para atingir a realização dos seus sonhos?

E por último: De quantos quilos é preciso para ser feliz?!


 *Lorena Abrahão é letrada, assessora sindical e militante da Marcha Mundial das Mulheres desde 2008.