segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Brechó Pró Lili - MMM





No final do mês de outubro a companheira Lili (MMM Pará) será submetida a uma operação para retirar o útero, por conta de um mioma. A cirurgia chama-se histerectomia.

A Lili descobriu esse Mioma há 5 anos e desde então tem buscado métodos de tratamento para que não fosse necessário realizar a cirurgia. Mas os métodos infelizmente não foram eficazes e com o tempo as dores, o sangramento intenso e a anemia têm se intensificado.

O útero da Lili já mede mais de 500 cm³ de volume (o máximos normal é 90 cm³). O que aponta para uma cirurgia em caráter necessário e urgente.

Ela está esperando há um ano para realizar essa cirurgia pelo SUS. E em decorrência do seu quadro clínico já não é possível esperar mais.

A Histerectomia custa R$ 3.000,00 (Três mil reais). Mas a companheira Lili não tem condições de arcar com as despesas totais pré, peri e pós cirúrgicas. E por isso decidimos ajudá-la e achamos que mais pessoas também gostariam de fazer o mesmo. Por tanto, resolvemos fazer uma campanha financeira pró Lili. :)

Como você pode ajudar?

- Se você não mora em Belém, ou mora mas não pode ir pro Brechó, ou se quer ajudar de todas as formas, você pode participar da Vakinha virtual que a Lili criou. http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=308404
Convida todo mundo pra participar dessa vakinha solidária.

- Se você tem aquelas roupas, sapatos, livros, vinis, bolsas, bijus, vasos,redes, etc. que você não usa mais, doa pra gente, que vamos reciclar e vender no brechó.

Quem pode doar e comprar?

Todo mundo. Amigas/os, parentes e vizinhas/os podem contribuir. Cá entre nós, todo mundo compra/ganha/guarda mais coisas do que realmente usa.

- o que não for vendido será doado para pessoas que necessitam.

Onde entregar as doações?
Sindicato dos Bancários: Rua 28 de setembro, 1210, próximo à Doca (procurar Lorena)

Caso você não possa entregar no sindicato, entre em contato que vamos pegar (contatos no final).

Quando será o Brachó?
O Brechó será no dia 29 de outubro, a partir das 16h, no Sindicato dos Bancários e só terminará 20h.

Vai ter opção pra pagamento em cartão de crédito, hein!

Convida todo mundo pra esse Brechó. Aguardaremos vocês com tudo arrumadinho.

....Ufa! Qualquer dúvida, pergunte pra alguma das marchantes abaixo.

raizarocha6@gmail.com
(91) 99224165 - vivo

lorena.mmm.pa@gmail.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ciclo de oficinas de teatro-manifesto

Com muita alegria anunciamos que estão abertas as inscrições para o I Ciclo de oficinas de teatro-manifesto da Marcha Mundial das Mulheres - Pará.

As oficinas serão abertas, ou seja, poderão participar mulheres que militam na Marcha Mundial das Mulheres e as que não o fazem. Porém, infelizmente, por ser um projeto piloto, nossas vagas neste ciclo serão limitadas a apenas 25 inscrições. As inscrições excedentes serão alocadas em uma fila de espera.

Para efetuar a inscrição no Ciclo de oficinas será necessário pagar uma *taxa única de R$5 (no início da oficina) e preencher a ficha de inscrição.

Érica Rapinadasbacantesinstrutora do Ciclo de oficinas, diz que quando o teatro é servido, exclusivamente, por interesses gerais, comerciais, econômicos, o limite entre o pessoal e o político fixa-se, e o teatro tende a tornar-se uma alienação pelo valor de mercadoria, pela lógica da massificação. Mas o teatro quando perspectivado no contexto de manifesto feminista, adquire outro estatuto de realização. 

Por isso, propõem-se uma oficina de teatro que detém características temáticas e uma organização muito próxima das que caracterizam um grupo feminista: teatro alternativo de estímulo ao empoderamento da mulher, teatro-manifesto de dignação da mulher, perspectiva crítica horizontal, que contraria a perspectiva dominante vertical, dinâmica de informação, cooperação, divulgação, espaço pessoalmente marcante.

Teatro-manifesto porque implica um legado e uma posteridade, teatro do opressor/oprimido, teatro-manifesto feminista...

E então, mulheres, vamos vivenciar juntas tudo isso? 

Nosso encontro será aos sábados, tendo início no dia 18 de outubro, das 15h às 19h, no sindicato dos bancários.

O Sindicato dos Bancários fica na Rua 28 de Setembro, n 1210, próx à doca. Para ver o mapa Clique aqui.



* Cobraremos R$5 pelas inscrições, porque estamos fazendo uma campanha para arrecadarmos dinheiro, a fim de ajudar uma das nossas companheiras a conseguir dinheiro para pagar uma cirurgia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

URGENTE – DOE SANGUE (QUALQUER TIPAGEM) PARA FABÍOLA BRITO, MAIS UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

No dia 8 de junho de 2014, por volta das 23h, a jovem Fabíola Cristiane Borges de Brito, 22 anos, foi surpreendida com um tiro no peito, disparado pelo seu ex-namorado o qual não aceitou o término do relacionamento e decidiu por tirar a vida de Fabíola.

A jovem mulher que está sob o risco de vir ao óbito, está no CTI do Pronto Socorro Municipal de Belém (14 de março) e precisa de DOAÇÃO DE QUALQUER TIPAGEM SANGUINEA COM URGÊNCIA PARA QUE SEJA SUBMETIDA À CIRURGIA.

Que a violência contra as mulheres existe nós sabemos, porém, sempre que um novo caso acontece, mais consistente torna-se o entendimento que devemos seguir em Marcha até que todas nós sejamos livres de todas as formas de opressão e violência.

A família da vítima registrou ocorrência na Delegacia de Amparo à Mulher, mas o agressor continua foragido. Para a Marcha Mundial das Mulheres é fundamental que este e todos os outros casos sejam devidamente encaminhados para que os agressores sejam sim punidos e educados a não mais cometerem atrocidades como estas.

É necessário também que o Estado garanta a efetivação das leis e políticas públicas que possam alterar a realidade das mulheres que diariamente tem suas vidas ceifadas pela violência sexista, violência gerada pelo machismo que faz o homem ter o corpo da mulher como propriedade sua.

Estamos solidárias à Fabíola Brito e sua família.

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!!!

Obs.: Para a doação de sangue, dirija-se ao HEMOPA PARÁ e forneça o nome completo e hospital que a paciente está internada.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sobre as palavras que nunca saíram

Só hoje tive coragem de ler alguns textos sobre a cultura do estupro e fiquei com um nó na garganta, chorando silenciosamente, com muita dor no coração, tremendo e lembrando um dos motivos que me levam a permanecer na luta feminista...

Quando eu tinha uns 5 anos ou 6, não lembro bem, morava em Marituba (município do Pará), com meus pais e meu irmão. Meu pai e minha mãe trabalhavam bastante e passavam a maior parte do dia fora de casa, mas nos deixavam aos cuidados de uma babá até que chegassem do trabalho.

Um dia, eu fui brincar na casa do meu amigo, que morava ao lado de casa e o irmão mais velho dele, que na época deveria ter uns 17 ou 18 anos, me chamou para um quarto, abaixou a minha calcinha, botou a mão na minha boca tentando impedir que eu gritasse (nem precisava, as palavras não saiam) e começou a penetrar em mim, dizia que ele estava só brincando comigo, que se eu contasse aos meus pais ele iria machuca-los e ficou por bastante tempo fazendo aquilo e eu só queria chorar, porque doía muito e nem estava entendendo o que estava acontecendo.

Lembro que quando cheguei em casa, minha babá foi me dá banho, e quando viu minha vagina, perguntou porque ela estava toda vermelha, assada, perguntou se eu havia lavado com sabão de manhã e eu disse que sim (mentindo). Então ela me ensinou que nunca deveria lavar com aquele tipo de sabão e que ia passar pomada em mim. Mesmo depois dela ter me dado banho, ainda me sentia suja e com medo.

Houveram dias em que a minha babá precisava ir embora mais cedo e me deixava na casa desse vizinho. E o mesmo se repetia.  Não entendo como ninguém naquela casa não percebia.

Passei tardes triste, lembro muito bem, sentia vontade de chorar, tinha uns momentos agressivos, vontade de fugir, de morrer, mas nunca sequer mencionei algo para os meus pais.

Um dia disse pra minha babá que não era mais amiga daquele menino e que preferia ficar na casa da coleguinha da frente, então, depois de eu ter insistido muito, um dia ela conversou com a mãe da garotinha e passou a me deixar lá. Mas não tinha um só dia em que eu não lembrasse daquilo. Sentia muita vontade de falar pro meu pai, principalmente nos dias em que ele deitava ao meu lado e perguntava como tinha sido o meu dia e eu tinha que sufocar as partes ruins e só falar sobre as boas. O medo de que algo ruim pudesse acontecer com meus pais ou comigo, me ajudava a sufocar qualquer palavra que denunciasse aquele homem.

Meu pai faleceu. Nos mudamos. E com isso, mesmo triste, a possibilidade de uma vida nova, em outro lugar, plantava uma sementinha nova de felicidade no meu coração.

Alguns anos após a morte do meu pai, minha mãe conversou comigo e com meu irmão falando sobre ter um novo namorado. E nós aceitamos. Vimos como foi difícil superar a perda do nosso pai. Eis que após alguns meses de namoro, o namorado da minha mãe passou a ter mais espaço dentro de casa, já podia dormir e fazer alguns passeios conosco.

Um dia, a noite, minha mãe foi tomar banho, enquanto eu estava no quarto dela assistindo TV, junto com o namorado dela, então, em algum momento que não lembro perfeitamente, ele meteu a mão dentro da minha calcinha e disse pra eu ficar calada e não dizer nada pra minha mãe. Eu sabia o que aquilo significava. O mesmo pesadelo, com endereço e rosto diferente.  O medo voltou. E permaneceu sufocando qualquer palavra de dor.

Um dia estava dormindo e senti alguém puxando a minha calcinha, então fingi que estava acordando e a pessoa saiu correndo pro outro cômodo da casa... esse era um outro namorado que minha mãe arranjou alguns anos depois.

E também teve uma vez em que eu estava no aniversário da minha tia, e o marido bêbado dela acariciou meus seios, tocou na minha vagina, mandou eu sentar no colo dele e ficou excitado.

Todos esses homens me silenciaram.

Eu podia ter falado alguma coisa, já que eu era um pouco maior e já tinha consciência de que aquilo era errado, mas eu me sentia nojenta, culpada e o medo de que as pessoas se machucassem ou brigassem por minha causa, me calou.

Desde então, minha relação com meu corpo não é boa. Lembro que um dia minha pediatra perguntou pra minha mãe porque eu não usava sutiã, que nas consultas eu sempre estava com umas blusas largas e uma blusinha colada por baixo ou top. Então minha mãe disse “(...) acho que ela tem vergonha dos seios, Dra”. E tinha mesmo. Mas, mais do que ter vergonha dos meus seios, eu não queria chamar atenção. Não queria ser uma mulher atraente. Talvez, o fato de ter sido estuprada somado ao de ter passado a maior parte da minha vida estudando o catolicismo e sendo orgânica dentro da igreja, tenha colaborado para essa relação com o meu corpo.

Eu era o tipo de pessoa que humilhava os garotos da minha escola, que batia em qualquer um que fizesse qualquer piada comigo. Lembro que nenhum namoro meu durava, porque em algum momento do namoro, eu tratava aqueles homens como seres descartáveis. Foi grande o susto das minhas amigas e família quando meu namoro durou mais de um ano.

Foi nesse namoro que comecei a refletir sobre a raiva que sentia (já estava na universidade). E consegui conversar mais, ser mais compreensiva e consegui ter minha primeira relação sexual, acho que isso ocorreu quando eu tinha uns 21 anos. E lembro que chorei, na primeira tentativa. Porque isso me remetia à lembranças ruins e aquele sentimento de nojo voltava.

Eu já militava no movimento estudantil desde os 18 e no movimento feminista desde os 19, mas foi demorado o processo para que eu percebesse que não havia nada de errado comigo, que eu não era a culpada, que os culpados eram outros. Aqueles homens que sentiram-se no direito de usufruir do meu corpo sem meu consentimento. Aqueles homens que me violentaram psicologicamente. Aqueles homens que se acharam donos do meu corpo. Eles sim, eram os culpados. Mas ainda assim, mesmo depois de tanto tempo militando, aquelas ordens sobre meu silêncio ainda ecoam e ainda são obedecidas. Porque há uma sociedade que também me quer calada.

Enquanto escrevo esse texto, outras meninas devem estar sendo estupradas, ou mulheres, e elas, de certo, ficarão caladas, chorando, ou com muita raiva, porque aqui fora há uma sociedade que não quer ouvi-las e que quando ouvem,  as culpam. Aqui fora há uma sociedade que ensina as mulheres a como não ser estupráveis e que, consequentemente, se formos, é porque não seguimos essas “regras”.

Pra você, que faz parte das pessoas que culpam a vítima, seja pela roupa, pelo corpo “sedutor”, pelo horário em que estava na rua, porque ela é uma “piriguete”, ou qualquer outro argumento para justificar, você também estava colocando a mão na minha boca e me ameaçando na hora em que eu estava sendo estuprada. Você também é um estuprador e está contribuindo para a perpetuação da cultura do estupro.

Estou escrevendo esse texto, como uma primeira tentativa de cura, porque guardar isso por tantos anos ainda dói e porque escrevendo a minha história, posso estar incentivando mais vítimas a contarem as suas e isso talvez, contribua para a sua cura.

Essa história ainda é aquela lágrima que nunca seca. A vergonha que demorou pra passar. E a raiva que machuca. Poderia ter postado ela no meu blog, mas preferi que fosse em um blog feminista, não só pelo maior número de pessoas que poderão ter acesso a ela, mas porque eu me sinto confortável pra escrever a minha história em um espaço onde serei acolhida pelas minhas companheiras de luta e porque é o feminismo que tem me ajudado nesse processo de libertação e que me motiva a ajudar mais pessoas a se libertarem das correntes patriarcais que as prendem.

É preciso combater e denunciar. E, por isso, continuarei em marcha, até que todas sejamos livres.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Economia Feminista e Soberania Alimentar - Avanços e desafios

No Brasil, mulheres têm um papel estratégico na produção de alimentos na agricultura familiar, que abastece 70% do consumo de alimentos dos brasileiros. Também aqui poucas informações de produção estão desagregadas por gênero – o trabalho cotidiano da mulher é chamado de ajuda, às vezes por elas mesmas. O dinheiro resultante da venda de seus produtos não é visto como fundamental ou mesmo contabilizado na renda familiar. O que produzem para a alimentação da família, apesar de estar na mesa todos os dias, não entra na contabilidade como renda da propriedade, e nem mesmo como renda da família. A publicação desta pesquisa, resultado de uma parceria entre a campanha “Cresça”, da OXFAM e a Sempreviva Organização Feminista (SOF), pretende contribuir para questionar, repensar e, finalmente, mudar os mudar os desequilíbrios nas relações de poder que impedem as mulheres de se realizarem como seres humanos, em especial naquelas relações que se manifestam em torno à produção e ao acesso aos alimentos.

Economia Feminista E Soberania Alimentar (3,1 MB)

Livros06/02/2014

Planejamento Anual da M.M.M- Pa 2014

Nos dias 01 e 02 de Fevereiro, a MMM-PA se reuniu para planejar suas ações para o ano de 2014, com muitas tarefas e desafios e muita vontade de mudar a vida das Mulheres.


Árvore dos Sonhos MMM-Pa 2014, com todos os seus desafios, oportunidades, ameaças, forças e frutos.




Ciranda Feminista: "Companheira me ajuda, que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor..."


Seguiremos em Marcha...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mulheres participam de 50% no mercado de trabalho na América Latina

Os países da América Latina e do Caribe registraram em 2013, pela primeira vez, taxa média de 50% de participação feminina no mercado de trabalho. Ainda assim, as mulheres continuam sendo o grupo mais afetado pelo desemprego e pela informalidade. Os dados são do Panorama Laboral da América Latina e do Caribe 2013, relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (17).

"Uma análise sobre a evolução da taxa de participação por sexo no mercado de trabalho demonstra que se mantém a tendência positiva sobre a redução da brecha de gênero", aponta trecho do documento.

De acordo com o relatório, a taxa média de participação das mulheres no mercado está relacionada ao comportamento da demanda por mão de obra. Essa taxa é um indicador que expressa a proporção de pessoas de cada gênero incorporadas ao mercado de trabalho como ocupadas. No caso dos homens, a participação total na região chegou a 71,1% em 2013.

No Brasil, foi registrada uma taxa de participação de mulheres um pouco inferior à média regional - 49,3%, apesar de ter sido superior ao resultado alcançado em 2012, de 49%. Entre os países, os que tiveram participação feminina mais baixa no mercado de trabalho em 2013 foram a República Dominicana (37,9%), o Equador (44,2%) e Honduras (44,7%). As mais altas, por outro lado, foram no Peru (64,7%), no Panamá (61,1%) e na Colômbia (60%).

Apesar da melhora em termos de participação, o estudo indica que o desemprego de mulheres é 35% maior do que o dos homens. Dos cerca de 14,8 milhões de pessoas sem trabalho na região, 7,7 milhões são do sexo feminino (52%). As taxas de desemprego feminino chegaram a 20,2% na Jamaica e 13% na Colômbia.

Quando se cruzam dados sobre mulheres e jovens, contata-se que jovens do sexo feminino são 70% dos desempregados na faixa etária dos 15 aos 24 anos de idade. As estimativas da OIT são a de que haja cerca de 6,6 milhões de jovens sem emprego em áreas urbanas da região - dos quais aproximadamente 4,6 milhões seriam do sexo feminino.

Entre 2012 e 2013, o desemprego de trabalhadores do sexo feminino na América Latina e no Caribe teve redução de três pontos percentuais - de 7,9% para 7,6%. A taxa de desemprego entre os homens, em contraponto, teve redução menor, passando de 5,7% para 5,6%. Para a OIT, isso demonstra que houve a intensificação da demanda pelo trabalho feminino no período.

Fonte: Contraf/Cut

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dia 19, plenária da MMM-PA. Participe!


Participe da Plenária da Marcha Mundial das Mulheres – Comitê Pará. Acontecerá no dia 19 de dezembro, às 18 horas, no Sindicato dos Bancários e Bancárias (Rua 28 de seembro, 1210 – Reduto).

2013 foi um ano intenso: preparação para o Encontro Internacional, MDV, formações, participação em diversas mesas e atos públicos, dentre outros. Nacionalmente avançamos em alguns pontos importantes como o Plebiscito da Reforma Política de verdade e na luta pela efetivação dos direitos das empregadas domésticas.

Acontece que muitos ainda são os nossos motivos para lutar. O Pará é o 4° Estado do país em assassinato de mulheres, com a taxa de homicídios de 6,1 assassinatos para o grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional que é de 4,6. Temos a desonra de abrigar o município que mais assassina mulheres – Paragominas; além do que outras 6 cidades estão na lista das 100 que mais cometem este tipo de crime, são elas Ananindeua (19,6), Tucuruí (18,5), Redenção (16,1), São Félix do Xingu (11,7), Novo Repartimento (10,2) e Barcarena (10,1). Os dados são do Mapa da Violência 2012, elaborado pelo intituto Sangari/Ministério da Justiça. Em Itaituba 36 mulheres foram estupradas em 2013, as mulheres da cidade estão em pânico e o poder público nada faz.

Nossos corpos e nossas vidas continuam sendo mercantilizados e oprimidos. Estamos no mercado de trabalho, mas ainda recebemos até 30% a menos do que os homens que ocupam cargos semelhantes.

Não podemos permitir que as violências e opressões avancem na naturalização. Sendo assim, a presença de TODAS é elementar para o fortalecimento de nossa auto-organização e fortalecimento de nossas lutas para o próximo ano.


Repartir o poder para mudar a sociedade: plesbiscito já!

*Por Camila Paula

No dia 15 de novembro, a batucada feminista adentrou o auditório central da Universidade Católica de Brasília no lançamento oficial do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político do país. Em junho deste ano, como resposta às manifestações nas ruas, Dilma Rousseff propôs a convocação de uma constituinte para debater a reforma política, coisa que a direita rebateu sem medir esforços e, no momento, a esquerda fragmentada não teve força para replicar à presidenta. Porém, junto aos mais de 100 movimentos sociais que estão encampando o plebiscito, a Marcha Mundial das Mulheres acredita que é preciso democratizar a participação da sociedade, em especial das mulheres, na política.

No dia 15 de novembro, a batucada feminista adentrou o auditório central da Universidade Católica de Brasília no lançamento oficial do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político do país.
Em junho deste ano, como resposta às manifestações nas ruas, Dilma Rousseff propôs a convocação de uma constituinte para debater a reforma política, coisa que a direita rebateu sem medir esforços e, no momento, a esquerda fragmentada não teve força para replicar à presidenta. Porém, junto aos mais de 100 movimentos sociais que estão encampando o plebiscito, a Marcha Mundial das Mulheres acredita que é preciso democratizar a participação da sociedade, em especial das mulheres, na política.

Como estamos e o que queremos?
Nosso sistema político serve para atender aos interesses das elites políticas, econômicas, sociais e culturais. Queremos o interesse público acima do privado. Para isto, a reforma não pode se restringir às mudanças eleitorais, mas, garantir leis e mecanismos de maior participação popular nas decisões políticas. Assim, devemos trabalhar por um aperfeiçoamento do sistema eleitoral e fortalecimento da democracia direta e participativa com controle social.
De acordo com dados do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), dos 549 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 66 são da bancada evangélica e apenas 91 são da bancada sindical e representação de trabalhadores e trabalhadoras que mesmo sendo a maioria da população, não é maioria no parlamento.
A imposição do poder econômico, oportunismo eleitoral e a sub-representação de gênero e de raça impedem diretamente maior representatividade democrática e mudanças estruturais. Então, o financiamento público de campanha, o sistema de votação, mecanismos para aumentar a transparência da aplicação dos recursos públicos e o fortalecimento da democracia direta através de plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular para que o poder seja para o povo em oposição ao Estado mínimo neoliberal são propostas para a nova constituinte.
O sistema eleitoral do Brasil é o de representação proporcional baseado em listas de partidos. Estas listas podem ser abertas ou fechadas. A lista aberta é o sistema utilizado no Brasil nas eleições proporcionais (deputados e vereadores).  Nesse sistema, o eleitor tem a possibilidade de votar em seu candidato preferido ou na legenda do partido. Essa votação nominal e não em um programa partidário faz com que a disputa seja em torno de projetos individuais e não coletivos.
O financiamento privado de campanha beneficia somente aqueles que são ou compactuam com a elite que patrocina homens, héteros, brancos, empresários e latifundiários que não representam e não resguardam os interesses do povo. A proposta do financiamento público serve para enfrentar o poder do dinheiro e do patriarcado racista e homofóbico.
Hoje, mais da metade da população brasileira é de mulheres que ocupam apenas 9% dos mandatos na câmara dos deputados e 12% no senado. Da mesma forma, 51% da população brasileira se declara negra e menos da metade das unidades federativas tem representantes negros na câmara. Sem falar que a população indígena não possui nenhuma representação no Congresso Nacional.
Por isto, vemos no processo do plebiscito uma boa oportunidade para radicalizar a democracia e participação popular que não é possível sem colocar a questão da paridade de gênero e de debater nossas pautas com relação à divisão sexual do trabalho, saúde e autonomia da mulher dentro da própria esquerda e na sociedade, de um modo geral. São muitos os desafios, mas não vamos abrir mão de um projeto feminista, classista, anti-homofóbico e anti-racista.

*Camila Paula é militante da Marcha Mundial das Mulheres em Mossoró/RN.

Matéria reproduzida do Blog: www.marchamulheres.wordpress.com

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

De quantos quilos é preciso para ser feliz?

Por Lorena Abrahão


Só uma mulher acima, quer dizer, bem acima do peso padrão é capaz de entender a intensidade deste questionamento.

Pois é mesmo verdade que há os que acreditam que gorda é sinônimo de inFELICIDADE. E o que é pior, há casos em que é a pura verdade.


Me chamo Lorena, 27 anos e cheguei na casa dos 100kg. Desde sempre tive tendência para engordar. Para uns isto quer dizer que sempre comi muito e nunca fiz atividade física. Disciplinada?! Hum...bem longe das gordinhas.

Por alguns anos, vivi o lado mais fácil da pressão da sociedade, para a sociedade. Fazia dos mais diversos sacrifícios para manter-me... como dizer?! Gostosona. Sim, era isso que eu era. A felicidade na minha vida ainda era relativa. Acho que resumia-se a “ficar” com o carinha que eu queria quando queria. Ir à casa de praia vez em quando. E não sei o que mais.

Só sei que felicidade era muito pouco para o estado de espírito que hoje consolido na minha vida.

Sendo a vida uma caixinha de surpresas, aos 23 anos submeti-me a uma cirurgia de relativa emergência, por ter sido diagnosticada com câncer na tireóide. Não, meu mundo não caiu. Aliás, até acho que caiu, mas não passou nem mesmo de 24 horas. Cirurgia, radioiodoterapia, isolamento, reposição hormonal, mudanças fisiológicas diversas...um turbilhão de coisas.

Onde mais houve um turbilhão de mudanças, foi na ordem de prioridades das coisas, da vida. Aos poucos percebia que a vida tinha um sentido bastante diferente do que imaginava (pouco imaginava) antes.

A retenção de líquido começou a me assustar. Os quilos foram somando-se, somando-se, somando-se. 30kg a mais na balança. Todos notavam. O mais curioso é que aqueles quilos pouco importavam para quem estava descobrindo um novo sentido.

Não virei evangélica, nem autora de auto-ajuda. Mas o segundos, os minutos, as horas...o tempo, a vida tornaram-se tão mais intensos. De uma forma que as mudanças estavam permitindo-me uma segunda chance. Um recomeço de vida a ser vivida com bem mais intensidade.

O “não” passou a ser a palavra menos pronunciada. Comecei a dizer “sim” e este sim não era para quem esperava por uma resposta, era um sim para a vida, para as coisas a serem vividas. O tempo começou a apresentar-se curto demais, pois, muita coisa eu tinha (e tenho) para fazer.

Ta ficando muito dramático o desabafo?! Desculpem-me, não era esta a intenção.

Quis apenas falar para o mundo que ser gordinha, como intitulo-me, é o que menos incomoda-me na vida. E que é muito chato quando perguntam o por quê de não emagrecer! Ainda mais sendo eu o suficiente educada para não devolver com as respostas mais homéricas possíveis.

Se você estiver acima do peso estipulado como ideal e quiser elimina-los: elimine-os, mas faça isso por você e que seja prazeroso. Se não quiser, seja apenas feliz, mas não esqueça que a felicidade é efêmera demais para depender apenas de um item.

É óbvio que ter corpo e mente saudáveis são essenciais para viver com qualidade, mas isso nem todos conseguem. Sabem a gordinha que vos escreve?! Ah, ela consegue ter a alma leve e a auto-estima pesadíssima, de tão pesada transborda de alegria e transborda amor próprio ao ponto de conseguir compartilha-lo com muitos ao seu redor.

Então, vos deixo-lhes com os seguintes questionamentos:

  • É preciso estar magra para estar de bem com a vida?
  • Não estar de bem com a vida 24h/dia, 365d/ano, todos os dias de sua vida é o fim dos tempos?
  • Só as mulheres magras conseguem ter prazer e dar prazer ao fazer sexo? Você ficará sem resposta se for daqueles que acha que gordas não fazem sexo.
  • De quantos quilos você precisou para formar-se na universidade e conseguir um bom emprego?
  • De quantos quilos você precisou para conhecer o amor de sua vida?
  • De quantos quilos você precisa para considerar-se o ser mais incrível do mundo?
  • De quantos quilos a gente precisa para ter um bom convívio familiar?
  • De quantos quilos você precisa para se respeitar e respeitar as pessoas?
  • De quantos quilos a gente precisa para conseguir ter alma e consciência leves?
  • De quantos quilos você precisará para atingir a realização dos seus sonhos?

E por último: De quantos quilos é preciso para ser feliz?!


 *Lorena Abrahão é letrada, assessora sindical e militante da Marcha Mundial das Mulheres desde 2008.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Brechó, Formação, Tarde Cultural, Feijoada... UFA! Agenda de Atividades!

Feminismo em marcha para mudar o mundo

         Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2013, o Brasil sediará pela primeira vez um Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Este será um momento importante para a Marcha porque iremos definir a próxima ação internacional de 2015 e também será iniciada a transição do secretariado internacional da Marcha, que está no Brasil desde 2006. Além das delegadas da Marcha de cerca de 50 países, o Encontro terá a presença de um grande número de militantes da MMM do Brasil e da América Latina, em um espaço de intercâmbio de práticas políticas e experiências de construção de alternativas, de formação e aprofundamento das nossas reflexões sobre temas constitutivos da nossa agenda política.

        Nós da MMM - PA estamos à todo vapor na preparação da delegação para o Encontro Internacional. Já realizamos várias atividades e continuaremos em pleno pique até a ida para SP! Nossa agenda de atividades nos próximos dias está bastante movimentada!

Formação da Marcha Mundial das Mulheres - PA


        No dia 10 de agosto, realizaremos mais uma etapa de preparação, a nossa formação para encontro! A formação será um momento de muito diálogo, reflexão e trocas sobre os nossos desafios e perspectivas sobre o feminismo. Todas estão convidadas à essa tarde de muita conversa e formação! Lembrando que as que irão para o Encontro Internacional a presença é obrigatória!

     Solicitamos para as Mulheres que irão participar da Formação, se inscreverem AQUI! A inscrição é necessária para que possamos providenciar o lanche das participantes.

   A Formação acontecerá no dia 10, de 14h às 20h, Endereço: SDDH, na José Malcher entre Generalíssimo e 14 de março, número 1381, em frente ao supermercado Nazaré. 

Obs: este é um momento de auto organização das mulheres da Marcha Mundial das Mulheres.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/562461933816799/

Brechó Feminista


         O Comitê Estadual da Marcha Mundial das Mulheres está batalhando para levar cerca de 40 mulheres do Pará para o Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres,  maaaas, como vivemos em um mundo capitalista (um dia isso muda!), precisamos de dindin e grande esforço militante. Então, decidimos realizar brechós e outras atividades financeiras 

            O brechó é uma atividade de finanças muito legal. Por que?

- Não custa nada separar coisas que você não precisa, doar e ter mais espaço (e menos poeira); 
- outras pessoas darão utilidade ao que você não precisa mais;
- reciclaremos o que "não presta", pintando, costurando etc.;
- esse dinheiro será muuuuuito útil para nós!!!
- o que não for vendido será doado para pessoas que necessitam

            Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/649985715030041/

Tarde Cultural: Oficinas de Carimbó, Batucada, Malabares e mais!!


No dia 15, quinta feira, às 15h, teremos uma tarde muito animada em pleno feriado! Às vésperas do Encontro Internacional vamos nos preparar para ensaiarmos a oficina de Carimbó com a Batucada, com direito ao batuque do carimbó saindo direto das nossas latas e bumbos!

Vai rolar muito mais, oficina de bambolê e malabares para uma comissão de frente que arrase! Vamos fazer também a nossa faixa do Pará para o Encontro Internacional, confeccionar e reciclar nossos batuques!

A tarde vai ser boa! Não dá pra perder!

Feijoada Solidária e Feminista!

          Dia 18/08 realizaremos mais uma Feijoada!! A primeira tava muito boa né? Pois é, prometemos que a segunda estará melhor ainda! Estamos acertando o cultural da Feijoada, mas a cartela da feijoada já estão nas mãos das companheiras da MMM, não perca e compre logo sua! 

         Vamos comer uma deliciosa feijoada, com boa companhia, uma cervejinha e ainda vamos ajudar a delegação da MMM - PA rumo a SP! Tem coisa melhor??

            Dia 18/08, no Sindicato dos Bancários, Rua 28 de Setembro, 1210, próximo à Doca!

Em breve mais informações!!!

sábado, 13 de julho de 2013

Se joga no feminismo! Vem com a Marcha!

Marcha das Vadias - Belém/PA (29/06/13). 


O 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres está chegando (25 a 31/08) e aqui no Pará a gente tá ralando a beça pra levar nossa delegação. Vale a pena: quem já participou de espaços de ação e formação da MMM é unânime em dizer que a experiência é única. Voltaremos fortalecidas pra enfrentar o machismo e outros "ismos" excludentes deste mundo cruel.

Ainda há espaço pra quem quiser se juntar ao nosso esforço militante e ir pra São Paulo. Fica aqui o convite: SE JOGA NO FEMINISMO, MULHER!

Afinal, o que a gente quer não é quase nada, é muito pouco mesmo, só mudar o mundo. Tarefa super revolucionária, alcançável apenas com a inclusão e o protagonismo feminino.

Vem com a Marcha! Próxima reunião: 17 de julho (quarta), 17h, no Sindicato dos Bancários (Rua 28 de setembro, 1210 - próximo à Doca).

sábado, 25 de maio de 2013

9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil- 25 a 31 de agosto de 2013 no Memorial da América Latina São Paulo



Feminismo em marcha para mudar o mundo! 
Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2013, o Brasil sediará pela primeira vez um Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, reunindo representantes vindas dos cinco continentes do mundo, ativamente envolvidas na luta pela erradicação da pobreza e da violência contra as mulheres. São esperadas 1600 mulheres para participar durante todos os dias do Encontro e muitas delegações para realizar uma grande mobilização do dia 31 de agosto. O Encontro será no Memorial da América Latina em São Paulo.
 Em marcha até que todas sejamos livres! 
Este Encontro será um momento especial para expressar a contribuição brasileira ao feminismo da MMM, demonstrá-lo na prática e avançar em sua construção teórica. Ao mesmo tempo, é um momento para aprofundar nossa visão comum sobre os desafios que enfrentamos nesta conjuntura repleta de ofensivas conservadoras do capitalismo patriarcal, racista e lesbofóbico contra nossos corpos, nossas vidas e nossos territórios. 
Juntas, vamos fortalecer nossa auto-organização e as estratégias de construção de um feminismo enraizado em processos locais que se conectam internacionalmente, em aliança com movimentos sociais anti-capitalistas e com uma forte solidariedade internacional que se expressa no nosso lema “seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!” 
O 9º Encontro Internacional será combinado com uma grande programação de intercâmbio e formação político e cultural, onde além dos debates teóricos também recorreremos a outros instrumentos como uma exposição sobre o histórico da Marcha e do feminismo. O evento está pensado como um espaço dirigido à participação de um grande número de militantes da Marcha do Brasil e da América Latina e mulheres dos movimentos parceiros.
 Programação 
O Encontro se inicia com uma abertura entre as delegadas internacionais (dia 25), segue com dois dias comuns de formação política e debate entre teóricas e pesquisadoras feministas e ativistas da MMM, relacionando teoria e prática feminista como partes de um mesmo processo (dias 26 e 27). Nos dias 28 a 30, enquanto as delegadas internacionais se concentram em debates sobre a vida democrática da MMM, as demais participam de atividades simultâneas como debates de formação e oficinas. 
No dia 31, todas se reúnem em uma Assembléia para compartilhar análises e decisões,  o Encontro se encerra com uma grande mobilização. 
Durante todo o período iremos realizar uma Mostra de Economia Solidária e Feminista que permite o intercâmbio de idéias e produtos e a visibilidade das mulheres como atoras econômicas.
As interessadas em participar devem procurar os comitês estaduais da MMM, no caso de estados onde não temos comitê organizado, fale com a SOF (sof@sof.org.br) secretaria da Marcha no Brasil.
 Contamos com o apoio na divulgação desse importante evento para a construção do feminismo militante e popular.
 Maiores detalhes, consulte o site www.sof.org.br e ou http://marchamulheres.wordpress.com


Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não há liberdade enquanto for nossa a responsabilidade.



Uma licencinha para um post de opinião...

Estava eu assistindo um programa muito curioso chamado “Mundo sem mulheres” da GNT, um reality show onde as esposas saem por uma semana e deixam a casa e os filhos aos cuidados dos maridos. Eu só assisti alguns episódios e me deparei com a triste realidade que a divisão coletiva dos trabalho doméstico é um imbricado de mecanismos multifatoriais de dominação.
                Que existe uma Divisão Sexual do Trabalho, todo mundo sabe, que o trabalho doméstico profissional é uma forma de exploração patriarcal e capitalista está bem claro, mas eu queria falar sobre as relações individuais e privadas, e principalmente do caráter psicológico da dominação, que faz com que cada mulher e homem, por mais consciente que seja, reproduza o patriarcado.
                Mulheres com consciência da sua exploração e homens solidários e com o mínimo de “vergonha na cara”, tentam estabelecer uma relação mais igualitária da divisão das tarefas domésticas. Atualmente é menos incomum os homens lavarem a louça, darem banho nas crianças, levar na escola, ajudar com o dever de casa... tem até casais que dividem de maneira totalmente igual as tarefas domésticas.  Mas será que isso significa que estamos avançando gradativamente em uma mudança cultural para a coletividade solidária em relação ao trabalho doméstico? Será que isso é um processo natural de evolução social?
                No reality percebemos muito claramente que independente de o homem fazer o tipo machão, que não sabe fazer nada em casa, ou se faz o tipo avançado e “se vira bem” no trabalho doméstico, a necessidade do trabalho doméstico é flexibilizada, assim como as exigências em relação à sua realização.
 No primeiro dia da saída das mulheres, eles se reuniram para comemorar, comer churrasco e beber cerveja até tarde da noite... As crianças estavam lá com eles, no mesmo espaço, só que sem nenhuma atenção, as mais velhas cuidando das mais novas, dando o seu jeitinho para passar o tempo... ok, eles são homens, então podem ser egoístas e ‘esquecer’ os filhos.   No outro episódio a alimentação foi bem flexibilizada, pizza e miojo se fizeram presentes, a rotina de limpeza da casa foi esquecida, as exigências foram diminuídas e a galera começou a “fazer o que dá”. Afinal, o que é possível para uma mulher não é o mesmo para um homem no que se refere a trabalho doméstico... os homens não são capazes de viver sem mulheres, porque não dão conta de multitarefas.
                Mas o principal tema do programa não era a capacidade de realizar as tarefas em si, mas o envolvimento emocional com as atividades ligadas à família, o quanto aquilo afetava a mente e fazia parte da preocupação dos homens e mulheres envolvidos no programa... As mulheres, que estavam se divertindo num spa, tinham uma preocupação verdadeira e real sobre se o trabalho doméstico estava sendo feito de maneira adequada, isso ocupava as suas mentes, era objeto de estresse mesmo de longe. Para os homens, o trabalho doméstico é algo secundário na sua rotina, que é feito num intervalo entre coisas importantes e que não precisa ter uma rigidez.
                A ligação emocional com o trabalho doméstico era constantemente associada à maternidade, aos cuidados com a prole, e como boas mães se preocupam com os filhos. ‘Naturalmente’, as mães tem uma ligação emocional maior com a família e isso toma mais espaço em suas mentes.

Só que não.... (como diriam os facebookianos)

                A divisão sexual do trabalho encontra-se internalizada de tal forma, que mesmo uma ruptura de padrão consentida e aplaudida não produz libertação e igualdade. A construção histórica de papéis sociais sobre os sexo ocorreu ao mesmo tempo que outros processos, entre eles a cristalização e a reificação. Na cristalização, os papéis são percebidos como fixos e como estáticos, na reificação, estes mesmos papéis são percebidos como inatingíveis e transcendentais, como se estivessem além da capacidade humana de intervenção ou de modificação (Berger & Luckmann, 1966). A incrustação desses papéis na psique humana, longe de ser explicada por determinismo biológico, foi construída num processo histórico de naturalização, onde o estrito cumprimento do dever social era condição de sobrevivência para as mulheres.
Nesse sentido, o trabalho doméstico não é só uma tarefa de mulher por uma imposição do capitalismo, mas é parte da consciência do ser mulher, ou melhor, do dever-ser mulher. São poucas as que conseguiram se libertar plenamente do afazer doméstico como obrigação física (sem explorar totalmente uma outra mulher), menos ainda são as que se livraram do trabalho doméstico como condição de humanidade. 
A questão fundamental da libertação das mulheres da divisão sexual do trabalho está não somente no tempo gasto na realização das tarefas, ou no esforço físico e no trabalho que elas exigem, mas principalmente no caráter de autorresponsabilização que ela representa na vida das mulheres. Muitas vezes conseguimos dividir completamente as tarefas domésticas, mas não conseguimos dividir a responsabilidade pelo trabalho doméstico, a participação masculina não consegue sair do âmbito da ajuda. Nesse ponto a tecnologia não é uma saída pro trabalho doméstico como forma de dominação, porque embora a tecnologia facilite o trabalho e estimule a divisão das tarefas, traga talvez mais tempo livre, não desrresponsabiliza as mulheres. Somente a responsabilização da coletividade pela reprodução da vida humana vai libertar as mulheres da opressão física e psicológica do patriarcado.
A maioria das mulheres não adora fazer trabalho doméstico, nem fazemos isso porque as mulheres pré-históricas varriam as cavernas, mas é inegável que o dever do trabalho doméstico está implantado na nossa mente, muitas vezes sem que a nossa consciência possa alcança-lo com facilidade. Acredito que esse seja o grande trunfo do patriarcado que precisamos combater.